segunda-feira, 19 de março de 2018

ÁFRICA: MALINESES, BANTOS E IORUBÁS

PARA INÍCIO DE CONVERSA











* ÁRABES NA ÁFRICA



  • Século VII -árabes muçulmanos conquistam terras no norte da África
  • Difundiram o Islamismo entre os povos do deserto do Saara (berberes)

  • Através do comércio, os berberes difundiram sua religião islâmica entre os povos sudaneses
  • Pontos de comércio deram origem a cidades prósperas
  • Algumas dessas cidades tornaram-se capitais dos reinos e impérios africanos (séc. VII e XV)
IMPÉRIO DE MALI


  • Maior e mais duradouro império africano
  • Sabemos sobre ele por conta de fontes : orais, arqueológicas e escritos árabes
  • Século XIII, África Ocidental
  • Povos de etnia mandinga se expandiram a leste e oeste da África
Os mandingos (em mandingo: Mandinka) são um dos 
maiores grupos étnicos da África Ocidental, com 
uma população estimada em 11 milhões.

  • Conquistaram terras e fundaram um império
  • Líder: SUNDIATA KEITA (recebeu o título de mansa, adotou o Islamismo)
Mali – Sundiata – Reprodução

  • SUNDIATA converteu-se ao Islamismo por causa do comércio com os árabes muçulmanos
  • SUNDIATA deslocou a capital do império para NIANI (sul) para proteger de invasões
  • Nas estradas que ligavam NIANI ao Nordeste da região, surgem cidades
  • Cidades: DJENNÉ, TOMBUCTU e GAO





CURIOSIDADE:

Mansa Musa, foi o homem mais ricos de todos os tempos

 (Foto: Wikimedia Commons)



Muitos especialistas acreditam que Mansa Musa (1280 - 1337), o rei de Tombuctu, foi a pessoa mais rica da história. De acordo com o professor de história Richard Smith, o reino da África Ocidental de Musa (atual Mali) provavelmente era o maior produtor de ouro do mundo em um momento em que esse material passava por um momento de alta demanda.

Historiadores e economistas ainda não conseguiram estimar quantos trilhões de dólares a fortuna no governante valeria hoje. Trilhões, sim. Em uma lista da Time de 2015, o Imperador Augusto César aparece em segundo lugar com US$ 4,6 trilhões.

Ele governou o Império do Mali no século 14 e sua terra era recheada de recursos naturais lucrativos: "Sua grande riqueza era apenas uma parte de seu rico legado", afirma Jessica Smith, em aula da plataforma TED-Ed.
Musa assumiu o poder em 1312 e expandiu as fronteiras de seu império em cerca de 3 mil quilômetros.
Quando foi para a cidade sagrada de Meca em 1324, levou uma caravana tão grande que "cronistas descrevem uma comitiva de dezenas de milhares de soldados, civis e escravos, 500 mensageiros vestidos com sedas finas e ouro, e muitos camelos e cavalos carregados de barras de ouro", explica Smith. Para se ter noção, quando passou pelo Cairo, no Egito, Musa doou tanto ouro para os pobres que a economia local sofreu com inflação e crise financeira por anos.
Durante seu reinado, o Homem Mais Rico de Todos os Tempos criou escolas, mesquitas e até uma universidade. Dentre seus feitos está a famosa Mesquita de Djinguereber, em Tombuctu.

Depois de 25 anos como imperador, Mansa Musa morreu em 1337 e foi sucedido por seu filho, Maghan I. Até hoje, o legado do imperador persiste: existem mausoléus, bibliotecas e mesquitas que são testemunho da chamada "idade de ouro" do Mali.

Fonte: Revista Galilleu

TOMBUCTO


  • Localização: as margens do Rio Níger
  • Ponto de parada de caravanas comerciais que atravessavam o deserto
  • Por lá passavam o sal, ouro, tecidos e grãos, noz-de-cola, peles, plumas, marfim, instrumentos de metal.
  • Séc. XIV - Mali era cidade intelectual
  • 150 escolas  - estudo do Corão
  • Estudantes de vários lugares
Mesquita de Djenné - influênvia islâmica

Mesquita de Sankoré

  • Mesquita de SANKORÉ - onde funciona a Universidade de Sankoré 
Imagem recente de Tombuctu - UNESCO PÕE TOMBUCTU NA LISTA DO PATRIMÔNIO EM RISCO



OS GRIÔS


  • Bibliotecas vivas
  • Transmitiam o conhecimento histórico local
  • Preservavam histórias e canções africanas
  • No passado, quando faleciam eram enterrados dentro da árvore de BAOBÁ
  • Isso serviria para continuar a tradição das histórias e canções 





A ECONOMIA DO IMPÉRIO DE MALI - (ótimos comerciantes)



  • Maior produtor de ouro da África Ocidental
  • A pop. vivia da agropecuária (bovinos, ovinos, caprinos), artesanato (metal e madeira) e comércio.
  • Cultivavam arroz, milhete, feijão, inhame, algodão (vale do Rio Níger)
Milhete - saiba mais AQUI

  • Comércio: cobre (muito apreciado),ouro, sal (tão valioso quanto ouro) e noz-de-cola

A FORÇA E A DURAÇÃO DO IMPÉRIO DE MALI

Poderoso Exército Mali

  • Chegou a ter 45 milhões de habitantes
  • Durou 230 anos
  • Poderoso exército (arqueiros, cavaleiros e lanceiros)
  • Controle da extração do ouro
  • Reprimiam rebeldes nas revoltas
  • Respeitavam as tradições dos povos dominados
A CRISE


  • Conflito entre as lideranças
  • Surgem novos centros de poder (ex.: Reino de Songai)
  • 1470- Songai conquista Tombucto
  • Songai torna-se a principal força política da região
OS BANTOS

Os bantos formam um grupo étnico africano que habitam a região da África ao sul do Deserto do Saara

  • Localização: sul do Saara
  • Origem comum: mesma língua (banta)
  • 1500 a. C- se deslocaram de Camarões para o centro, leste e sul da África
  • O deslocamento durou 2.500 anos
  • Foi a maior migração da África Subsaariana
  • A região deixou de ser terra de nômades para se tornar agrícola e com técnicas de metalurgia
  • Organizaram reinos importantes. ex.: CONGO
REINO DO CONGO


  • Congo = Bacia do Rio Zaire
  • Recebeu o nome Congo dos portugueses
  • Habitantes: grupos bantos (ambundo, bacongo, luba e lunda)
  • Líder: NIMI-A-LUKENI
  • Época: séc. XIV (final) e séc. XV (início)
  • Atravessou o Rio Zaire e dividiu espaço com antigos moradores da região
  • NIMI  fez alianças por meio de casamentos
  • Fundou a cidade de MBANZA CONGO
Mbanza Congo - Capital do Reino do Congo

  • Controlam o território
  • NIMI recebeu o título de MANI CONGO  (senhor do Congo)
O império era governado por um monarca, o manicongo, consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango), mas a sua área de influência estendia-se também aos estados limítrofes, tais como Ndongo, Matamba, Kassanje e Kissama

  • NIMI possuía 12 conselheiros (secretários reais, oficiais militares, coletores de impostos...)
  • 4 mulheres conselheiras representando o clã das avós do rei
Imagem da República do Congo atual

ECONOMIA



  • A moeda era o NZIMBU (concha marinha)
  • Homens: caça, pesca, coleta de alimentos
  • Mulheres: agricultura (lugumes, verduras, frutas..)
  • Principal cereal: SORGO
  • Criavam porcos, carneiros, cabras, bois
  • Faziam artesanato com RÁFIA (tipo de palmeira), cobre e ferro
  • Ferro: instrumentos de trabalho e armas. 
  • O fundador do reino era ferreiro, por isso, trabalho com ferro era reservado aos nobres
  • Comércio intenso (ferro e sal)
  • Pagavam impostos (em espécie ou dinheiro) ao Mani Congo
  • A moeda era o NZIMBU (concha marinha)
  • Só o rei poderia explorar essas conchas
  • O Mani Congo os protegia espiritualmente
OS PORTUGUESES NO CONGO


  • 1483- chegaram portugueses no Congo
  • Faziam comércio com líderes africanos
  • MANI CONGO NZINGA MBEMBA se aliou aos portugueses
  • Trocou seu nome para AFONSO I
  • Converteu-se ao Catolicismo
  • Se vestia como os portugueses. 
  • Pediu aos portugueses para enviar profissionais para modernizar o Congo
  • Foram enviado missionários para catequizar o povo
  • Mercadores portugueses começaram a frequentar o Congo
  • Mani Congo se sentiu ameaçado
  • Pediu aos portugueses para proibir o comércio em sua região
  • Os portugueses não atenderam
  • Portugueses passaram a explorar o Congo
  • Buscavam ouro e prata (séc. XVII)
  • 1655- BATALHA DE MBUWILA ( portugueses X Congo)
Saiba mais da Batalha de Mbuwila AQUI 

  • Portugueses venceram
  • Morreram:  MANI CONGO ANTÔNIO I , nobres e soldados
  • O Reino do Congo declinou e tornou-se principal fornecedor de escravizados para o Brasil.


BANTOS NO BRASIL


  • Séc. XVI  e XIX
  • Falavam línguas bantas: quimbundo, quicongo e umbundo
  • Essas línguas influenciaram o idioma português brasileiro.
  • Ex: Berimbau, caçula, canjica, carimbo, cochilo, dendê, fubá, jiló, moleque, quiabo, quitute, samba...


O JONGO


  • Canto, dança coletiva com percussão e tambores
  • Herança dos povos bantos que estiveram no Brasil
  • 2005 - Jongo foi registrado pelo IPHAN como patrimônio cultural imaterial do Brasil
OS IORUBÁS


  • África Ocidental
  • Civilização urbana
  • Cidades, ruas e avenidas retas
  • Mercados movimentados
  • Principais cidades: Ifé, Keto, Oió (capital política)
  • Comerciantes - homens e mulheres - circulavam por terra e rios
  • Canoas carregadas de produtos das florestas: pele de leopardo, pimenta, marfim, noz-de-cola...
  • Artesanato: objetos de couro, metal e marfim.
  • Cidade de Oió havia bairros especializados em : curtume, serralheria e fundição
  • Séc. XII e XV, Ifé - Capital religiosa
  • Oni: líder religioso, administrava a cidade e era juiz.
  • Oni: escolhia os líderes das cidades. ex.: Ifé e Oió
A ARTE IORUBÁ


  • Esculturas realistas
  • Cabeças humanas em bronze em tamanha natural
  • Influenciou a arte do Reino de Benin

O REINO DE BENIN (sudoeste de Ifé)

Selo nigeriano com imagem de uma máscara de 
madeira típica do reino de Benin

  • Século XII
  • Fundador: Oranyan
  • O rei (obá): governava a cidade e era líder religioso
  • Ao chegar ao poder o rei teria que ir a Ifé para ter seu título reconhecido como rei pelo Oni
  • Cidade mais importante: Benin
  • Ruas e avenidas retas, maiores que muitas cidades europeias
  • Comércio: peixe seco, inhame, cobre, sal, dendê, couro , carne e escravizados (guerras)
  • A cidade era bem localizada para o comércio
  • O palácio do Obá era enorme e luxuoso
  • Séc. XV - os artistas passaram a representar os mercadores, marinheiros e soldados europeus em suas artes
  • Século XIX (final) - ingleses dominam a África e o Reino de Benin
  • Ingleses saquearam as obras de arte do Reino de Benin e hj elas estão no Museu Britânico
Ingleses saquearam a arte do Reino de Benin

  • A arte IORUBÁ alcançou a Europa e a América (Cuba e Brasil)






IORUBÁS NO BRASIL






  • 1830- vieram para o Brasil
  • Os muçulmanos destruíram sua capital (OIÓ)
  • Chegaram no Brasil pelo porto de Salvador
  • Entre os IORUBÁS vieram: sacerdotes, príncipes, líderes políticos, artistas...
  • Os reis, artistas e intelectuais iorubás foram empregados no Brasil em trabalhos domésticos e urbanos
  • Ficaram na cidade de Salvador e no Recôncavo Baiano
  • A arte iorubá pode ser vista em todo Brasil, principalmente na Bahia
  • Na Bahia nasceram alguns dos principais representantes da música a artes plásticas iorubás.
  • Música: Olodum e Ilê Aiyê, Carlinhos Browm, Margareth Menezes
  • Artes Plásticas escultores: Manuel Araújo, Mestre Didi
  • Pintores: Cerybé e Menelaw Sete (Picasso do Brasil) 


RIO DE JANEIRO RECEBERÁ A MAIOR COLEÇÃO DE ARTE IORUBÁ FORA DA ÁFRICA


Fonte: Carta Capital - 05/03/2019



O Rio de Janeiro vai receber a maior coleção de arte iorubá fora da África. Serão centenas de peças, em processo de escolha e catalogação, que chegarão a partir de agosto. Os artefatos milenares devem ser exibidos em um espaço sem correspondente no mundo: a Casa de Herança Oduduwa, um local para exposições, aulas de língua iorubá, centro de estudos e um teatro, num elo permanente de comunicação e intercâmbio entre o Brasil e o povo iorubá. Uma forma de aproximar as culturas e auxiliar o povo brasileiro a conhecer melhor suas origens, heranças, histórias, e até suas feições.

A vinda desse tesouro histórico, religioso e cultural é um esforço pessoal do rei de Ifé, Ojaja II, de 44 anos, a maior autoridade tradicional e religiosa do povo iorubá, que originariamente habitava o Reino de Ketu e o Império do Oyó, áreas atualmente do Benin e da Nigéria. Há ainda um grande número de iorubás vivendo no Togo e em Serra Leoa, além de, fora da África, em Cuba, na República Dominicana e no Brasil. O desejo do rei nasce de uma coincidência propiciada pelo fato de o povo brasileiro desconhecer seus antepassados africanos.



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